Duas empresas de telefonia celular podem pagar até 300 milhões de multa por mal atendimento em call center. E não é para menos. A nova lei está em vigor há um bom tempo e o atendimento continua péssimo.O mais impressionante é ler essa e outras reportagens numa tradicional revista semanal. Porque?
Eu trabalhei no call center de uma grande editora durante alguns meses vendendo assinaturas de revistas e estive perto de muita desorganização e falta de respeito com o cliente. Por parte dos operadores, dos supervisores e, pasmem, do gestor também. Pior do que o operador fazer cagada, é seu supervisor parabenizar por ter efetuado a venda a todo custo. Isso é trapacear o cliente a troco de comissão e não se preocupar com a satisfação do mesmo. E lá funcionava mais ou menos assim: omitir enrascadas, inventar brindes, criar preços, negar que a assinatura seria renovada automaticamente, ou dizer que a revista semanal insere um Zé Ninguém no mercado de trabalho e a de fofocas deixa a empregada doméstica parecida com a Adriane Galisteu. Eu mesmo já vendi assinatura de revista com temas de arquitetura e paisagismo para um pedreiro e de curiosidades científicas para uma evangélica que só falava em nome de Jesus.
Dica para vocês: nunca peçam para falar com o supervisor de um operador de telemarketing. Ele é pior do que o próprio. Numa central ninguém sabe nada e ninguém quer saber de nada. E mais: ninguém está preocupado se você nunca mais vai comprar produtos da marca ou vai denunciar para o Procon. Isso só afeta a imagem da empresa, o que não preocupa ninguém desse setor.
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