Nada me deixa tão sensibilizado quanto os alérgicos a camarão.
O camarão sempre faz parte das melhores culinárias e dos mais elaborados pratos. Surgem, então, as situações mais constrangedoras. Eu imagino o namorado alérgico indo almoçar na casa da namorada pela primeira vez. O cardápio? Bobó de camarão. A situação começa a ficar embaraçosa ao servir o prato. Ele pode abrir o jogo e chatear a sogra, que passou o dia bolando um prato delicioso para recebê-lo, ou arriscar a sorte, rezar, comer e achar que a alergia vai esquecer de dar as caras. Separar disfarçadamente os camarões do restante do prato e depois desová-los para o cão pode ser muito perigoso e digno de uma cena de filme de comédia barata. Se algum dia uma situação semelhante acontecer com você, aja com sinceridade e peça um Miojo. A alergia não é desatenta e você vai parar no hospital com a garganta parecendo um pão sovado e o rosto mais vermelho que um peru.
O que me deixa triste é que não existe cura para esse mal. O tratamento consiste em afastar o alimento do cardápio do indivíduo. Ou seja, fadá-lo a nunca comer camarão. Nascer com esse incoveniente é um verdadeiro deboche da natureza. Não é possível que existam tantos alimentos e ser premiado justamente com alergia a camarão. Veja só como soa menos doloroso: alergia a berinjela, espinafre, pepino, couve-flor, pimentão...
As organizações-não-governamentais deveriam passar a assistir essa demanda da população, incluindo socialmente os alérgicos a camarão. Palestras, workshops, reuniões (Alérgicos a Camarões Anônimos), reduzirião a sensação de desprezo e diminuição dos prejudicados.
E quanto a solução definitiva do problema, eu não sei o que estão esperando para estudar a fundo esse tratamento. Profissionais da medicina, aproveitem o embalo da H1N1 e encontrem a cura dessa maldita alergia que traz tanto sofrimento às suas vítimas.
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