quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Suicidas inconvenientes

Hoje certamente teve algum problema extra no Metrô. Às 10h da manhã, os trens ainda andavam em doses homeopáticas, com super lotação. Já me preparei para ouvir aquela voz chata: “Por motivo de usuário na linha, os trens estão circulando com velocidade reduzida."

Não foi o que aconteceu hoje, mas quem usa o Metrô sabe o quanto isso é corriqueiro. Só não sabemos o que, realmente, é comum: ter usuário na linha ou o Metrô nos dar essa desculpa. No fundo, acredito que isso seja uma grande mentira que tenta justificar o péssimo serviço prestado à população.

Eu uso o Metrô há quatro anos, mais de uma vez por dia, e nunca vi ninguém nos trilhos. Também não conheço ninguém que tenha visto. Mas, se acontecer, acredito que os trens devam parar no ato e, depois de 5 minutinhos, voltar a funcionar normalmente. Seria o tempo de arrancar a pessoa do trilho e colocá-la em terra firme. Pronto.

Isso realmente acontece algumas vezes, mas em sua maioria, o trem anda com aquela lentidão, avisando sobre o suposto usuário na linha por um bom tempo. Ou seja, o trem passa por cima da pessoa aos pouquinhos e a equipe de segurança não consegue retirá-la de uma vez? Às vezes estou na estação Tatuapé e ouço dizer que tem gente na linha. O trem continua fazendo o percurso lentamente até a Barra Funda. Passam-se 10 estações, meia hora, e o infeliz continua no trilho? Não, não é possível.

Eles [o Metrô] devem achar que a população tende a ficar sensibilizada com essa justificativa. Sensibilizado ninguém fica. Ficamos conformados, pois já nos acostumamos com esse discurso. O burburinho causado por uma explicação do gênero: “Por motivo de incompetência e super lotação, vocês vão continuar aí por um bom tempo, ok?”, seria deveras massacrante.

Agora, se a quantidade de usuários na linha for real e minha teoria não passar de uma ignorância no assunto metroviário, decididamente não sou capaz de entender: O depressivo quer se suicidar? Ok. Leila Lopes, Chatterton, Getúlio Vargas, Carlota Joaquina e Santos Dumont também quiseram. E nem por isso atrapalharam tanta gente. Nem o Hitler, que era o Hitler, atrapalhou. É muita pretensão o Zé da Liberdade, a Maria do Brás ou o João da Barra Funda atrasarem milhões de pessoas por seus caprichos.

É melhor o Metrô começar a explorar um outro lado, dizendo que a pessoa foi empurrada, se desequilibrou ou qualquer coisa que afirme que ela esteja contra a vontade nos trilhos. A maneira como eles falam é muito fria para informar sobre quem está correndo risco de morte. E, pena mesmo, os demais passageiros só vão sentir se souberem que a vítima foi sacaneada. O discurso deveria ser atualizado para: “Lutando até o último segundo, passageiro não resistiu e foi brutalmente empurrado para o trilho. Para tentar salvá-lo, reduziremos a velocidade dos trens. Espero que você entenda.”

A comoção seria geral e a vítima, poupada de tantos insultos.

2 comentários:

Vainessita disse...

...=)..eu sou fã neh...fico ansiosa esperando crônica nova!!..

Mariana disse...

nossa....to passada com a minha ingenuidade!!!eu SEMPRE acreditava q era verdade e ficava putissima achando q a pessoa podia escolher outro lugar pra se matar....q bom q vc existe pra esclarecer as mentiras do mundo!!!=)ainda bem q o metro naum faz mais parte da minha rotina!!!