Hoje certamente teve algum problema extra no Metrô. Às 10h da manhã, os trens ainda andavam em doses homeopáticas, com super lotação. Já me preparei para ouvir aquela voz chata: “Por motivo de usuário na linha, os trens estão circulando com velocidade reduzida."
Não foi o que aconteceu hoje, mas quem usa o Metrô sabe o quanto isso é corriqueiro. Só não sabemos o que, realmente, é comum: ter usuário na linha ou o Metrô nos dar essa desculpa. No fundo, acredito que isso seja uma grande mentira que tenta justificar o péssimo serviço prestado à população.
Eu uso o Metrô há quatro anos, mais de uma vez por dia, e nunca vi ninguém nos trilhos. Também não conheço ninguém que tenha visto. Mas, se acontecer, acredito que os trens devam parar no ato e, depois de 5 minutinhos, voltar a funcionar normalmente. Seria o tempo de arrancar a pessoa do trilho e colocá-la em terra firme. Pronto.
Isso realmente acontece algumas vezes, mas em sua maioria, o trem anda com aquela lentidão, avisando sobre o suposto usuário na linha por um bom tempo. Ou seja, o trem passa por cima da pessoa aos pouquinhos e a equipe de segurança não consegue retirá-la de uma vez? Às vezes estou na estação Tatuapé e ouço dizer que tem gente na linha. O trem continua fazendo o percurso lentamente até a Barra Funda. Passam-se 10 estações, meia hora, e o infeliz continua no trilho? Não, não é possível.
Eles [o Metrô] devem achar que a população tende a ficar sensibilizada com essa justificativa. Sensibilizado ninguém fica. Ficamos conformados, pois já nos acostumamos com esse discurso. O burburinho causado por uma explicação do gênero: “Por motivo de incompetência e super lotação, vocês vão continuar aí por um bom tempo, ok?”, seria deveras massacrante.
Agora, se a quantidade de usuários na linha for real e minha teoria não passar de uma ignorância no assunto metroviário, decididamente não sou capaz de entender: O depressivo quer se suicidar? Ok. Leila Lopes, Chatterton, Getúlio Vargas, Carlota Joaquina e Santos Dumont também quiseram. E nem por isso atrapalharam tanta gente. Nem o Hitler, que era o Hitler, atrapalhou. É muita pretensão o Zé da Liberdade, a Maria do Brás ou o João da Barra Funda atrasarem milhões de pessoas por seus caprichos.
É melhor o Metrô começar a explorar um outro lado, dizendo que a pessoa foi empurrada, se desequilibrou ou qualquer coisa que afirme que ela esteja contra a vontade nos trilhos. A maneira como eles falam é muito fria para informar sobre quem está correndo risco de morte. E, pena mesmo, os demais passageiros só vão sentir se souberem que a vítima foi sacaneada. O discurso deveria ser atualizado para: “Lutando até o último segundo, passageiro não resistiu e foi brutalmente empurrado para o trilho. Para tentar salvá-lo, reduziremos a velocidade dos trens. Espero que você entenda.”
A comoção seria geral e a vítima, poupada de tantos insultos.
2 comentários:
...=)..eu sou fã neh...fico ansiosa esperando crônica nova!!..
nossa....to passada com a minha ingenuidade!!!eu SEMPRE acreditava q era verdade e ficava putissima achando q a pessoa podia escolher outro lugar pra se matar....q bom q vc existe pra esclarecer as mentiras do mundo!!!=)ainda bem q o metro naum faz mais parte da minha rotina!!!
Postar um comentário