terça-feira, 23 de março de 2010

O interior do Amazonas

Ninguém é mais perdido do que eu andando em SP. De carro, metrô, ônibus ou mesmo a pé, não sei chegar a lugar algum. Meu cérebro tem uma espécie de trava que não permite que eu explore novos caminhos, descubra novas ruas ou monte um mapa mental de onde estou.

As presepadas que cometo no volante são vexatórias. Certo dia precisava ir até a Av. Paulista, no Centro Cultural (estudo na Consolação e passo pela Paulista todos os dias de ônibus para trabalhar). Mesmo atento, fui parar na Vila Madalena e por sorte não cai na estrada. Quando vi as placas apontando sentido Castelo Branco dei conta do estrago e solicitei ajuda no primeiro posto de gasolina.

Quando vou trabalhar de carro (nas redondezas do Ibirapuera), faço o único caminho que sei, que é também o mais estúpido: pego a Radial, a Consolação – preciso passar em frente ao Mackenzie para me situar, qualquer que seja meu destino - e a Paulista, que já aprendi. Depois desço toda a Brigadeiro Luis Antônio. O mesmo caminho é feito para voltar. Até hoje não sei pegar essa tal 23 de maio que tanto falam. Também já me perdi numa tentativa de ir caminhando da Paulista ao Mackenzie, no 4º ano de faculdade.

E se você pensa que no meu bairro as coisas devem melhorar, enganou-se. Mudei de escola no ensino médio e o colégio novo ficava a menos de meio quilômetro da minha casa. Ainda assim, nos primeiros dias de aula eu não sabia voltar e precisava ligar para a minha mãe pedindo ajuda.

E para você, que conhece onde moro, pode acreditar: Eu não sei chegar na Marginal Tietê, na Mooca, no Shopping Tatuapé e muito menos no Boulevard. Uma criança do interior do Amazonas, mesmo vendada, sairia melhor do que eu em SP, que nasci aqui. Nota zero para meu senso geográfico.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Humberto Gessinger dando tchau.

O que mais me tira do sério nessa vida – além do transporte público – é o atraso alheio. Algumas pessoas têm o atraso embutido. E pior do que atrasar uma hora, uma vez ao ano, é atrasar todos os dias os religiosos 15 minutinhos. Qual a dificuldade em marcar todo compromisso 15 minutos mais tarde? Só pode ser carência. O atrasado quer ter a sensação de que sua presença é tão importante, mas tão importante, que todos esperarão por ele o tempo que for.

Eu tenho uma amiga que atrasa demais. Sempre que vamos sair, marcamos um horário fictício com ela, e o verdadeiro em segredo com os demais. Há uns cinco anos, ela – que é aficionada pela banda - insistiu para todos irmos ao show dos Engenheiros do Hawaii. Pela amizade, acabamos concordando.

Dessa vez foi ela quem marcou o horário. Afinal, iria assistir à banda da sua vida. “Incrível! Dessa vez ela não vai atrasar”, pensamos. Chegamos ao ponto de encontro e, adivinhe? Ela atrasou mais de uma hora. Como resultado final, chegamos ao destino e vimos o Humberto Gessinger acenando um tchau para a plateia. Muito bonito, belo programa. Fui ao show da banda que não gosto e fiquei mais tempo esperando a dona da ideia do que no próprio show.

Por essas e outras, eu sou a favor do movimento Atrasou, ficou. Quem vive em SP merece uma margem de erro devido ao “excelente” transporte e condições de engarrafamento da cidade. Mas quem atrasa em todo compromisso não merece meu respeito. Nem do Humberto Gessinger.