domingo, 11 de abril de 2010

No colo do Diabo



Prefiro acreditar que essa notícia não tenha tido um espaço maior no jornal por conta dos desastres do Rio de Janeiro, apesar de achar esse desastre tão grande quanto o de Niterói. Além de o governo canadense permitir a prática de caçar focas, eles liberaram a quantidade exorbitante de 380 mil animais. É muita foca. A que conseguir escapar, vai ficar sem família e amiguinhos. Incompreensível.

Isso me fez lembrar de um velho casal grosseiro e sanguinário que conheço. Certa vez, uma raposa se instalou no sítio deles, que fica no interior de São Paulo. Ela deu cria e ficou lá, embaixo de uma árvore, com seus quatro filhotinhos. O camarada, que não gostou nada disso, pegou um machado e esquartejou uma por uma. Assim mesmo, a sangue frio.

Além desse, tem o caso dos gambás: no mesmo sítio, descobriram que uma família de gambás estava alojada no telhado de sua casa. Não tentaram expulsar, nem chamaram o IBAMA. O assassino subiu no telhado e empurrou todos os gambás, inclusive os filhotes, para o chão, que caíram na represa e, claro, morreram rapidamente.

Esses dois são muito religiosos. Vivem na missa e querem converter todo o mundo. Sempre que os vejo, me pressionam para ir à igreja, para garantir o meu lugar no céu. Mas contam essas duas histórias como se fossem coisas normais, sem nenhum tipo de remorso.

Se o CÉU x INFERNO realmente existir, o lugar deles já está bem reservado: é direto pro colo do diabo, com as raposinhas enfiando-lhes um tridente no rabo por toda eternidade.