Alguns saem de lá com frequência e depois são devolvidos. Outros não saem, então os deixamos bem visíveis, no lugar mais privilegiado da prateleira.
Outros ficam melhores na prateleira.
Na verdade, a gente nem sabe porque eles ainda estão lá.
Ficam lá, empoeirando, no canto mais escondido da prateleira.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Os cigarros do Nicolas e os cigarros do João
Em um jantar na semana passada, minha tia contava sobre a decepção que teve com meu primo caçula, de 14 anos. Procurando uma mensalidade da escola em sua mochila, ela achou um maço de cigarros e um isqueiro.
Na hora ela gritou, esperneou, deixou o meu primo de cabelos em pé. Depois pensou, pensou e decidiu agir de outra forma. Ela, que também é fumante, tentou iniciar uma conversa pacífica com o filho. Disse que ele não deve se tornar um fumante igual à mãe.
Meu primo, meio tonto e assustado, culpou o amigo: “Mãe, é do Nicolas”. E ela, claro, tentou acreditar. Disse que o Nicolas é um amiguinho fumante, que até telefonou para confessar o crime. Bela prova.
Eu tive uma fase parecida com essa, aos 14 anos também. O mais engraçado é que o primeiro cigarro que minha mãe encontrou foi dado pela minha tia. A mesma que agora está em atrito com meu primo. E eu, na ocasião, não culpei o amigo Nicolas, mas sim o amigo João.
Fumo pouco, mas fumo. Um cigarro por dia, às vezes nem isso. Minha mãe sabe, eu mesmo já contei mil vezes. Mas ela sempre esquece ou finge esquecer. Com frequência, aparece com um isqueiro ou cigarro que achou nas minhas coisas e fica aflita, descobrindo de novo.
É, os meus cigarros nunca foram do João. E os cigarros do meu primo não são do Nicolas.
Na hora ela gritou, esperneou, deixou o meu primo de cabelos em pé. Depois pensou, pensou e decidiu agir de outra forma. Ela, que também é fumante, tentou iniciar uma conversa pacífica com o filho. Disse que ele não deve se tornar um fumante igual à mãe.
Meu primo, meio tonto e assustado, culpou o amigo: “Mãe, é do Nicolas”. E ela, claro, tentou acreditar. Disse que o Nicolas é um amiguinho fumante, que até telefonou para confessar o crime. Bela prova.
Eu tive uma fase parecida com essa, aos 14 anos também. O mais engraçado é que o primeiro cigarro que minha mãe encontrou foi dado pela minha tia. A mesma que agora está em atrito com meu primo. E eu, na ocasião, não culpei o amigo Nicolas, mas sim o amigo João.
Fumo pouco, mas fumo. Um cigarro por dia, às vezes nem isso. Minha mãe sabe, eu mesmo já contei mil vezes. Mas ela sempre esquece ou finge esquecer. Com frequência, aparece com um isqueiro ou cigarro que achou nas minhas coisas e fica aflita, descobrindo de novo.
É, os meus cigarros nunca foram do João. E os cigarros do meu primo não são do Nicolas.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Ainda bem que eles não conseguiram me podar.
Desde que me conheço por estudante, dava trabalho na escola. Conversava demais, odiava assistir aula e arrumava mil pretextos para fazer bagunça. Gostava de fugir da sala, invadir a capela, organizar mutirões para batucar nas carteiras e não aguentava escutar professores piegas por horas e horas. Dava tremedeira.
Os professores gostavam de mim, mas em toda oportunidade chamavam a minha mãe para uma breve reunião. Sempre a mesma coisa. A pobrezinha foi chamada até na catequese e no inglês. A principal crítica: “fala demais”.
Por misericórdia, profissionais da educação infantil. Desde quando isso é defeito? Hoje eu trabalho com comunicação e nenhum deles pode imaginar o quanto estou satisfeito.
Ainda bem que eu também sou teimoso e eles não conseguiram me podar.
Os professores gostavam de mim, mas em toda oportunidade chamavam a minha mãe para uma breve reunião. Sempre a mesma coisa. A pobrezinha foi chamada até na catequese e no inglês. A principal crítica: “fala demais”.
Por misericórdia, profissionais da educação infantil. Desde quando isso é defeito? Hoje eu trabalho com comunicação e nenhum deles pode imaginar o quanto estou satisfeito.
Ainda bem que eu também sou teimoso e eles não conseguiram me podar.
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